Entre o desejo despertado por uma paisagem e a compra de uma viagem existe uma cadeia inteira de negócios. Agências, operadoras, meios de hospedagem, guias, restaurantes, transportadores, artesãos e prestadores de serviços fazem parte desse percurso. É justamente nesse espaço entre o destino e o mercado que o Sebrae Tocantins concentra sua participação na ABAV Expo 2026, de 30 de setembro a 2 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo.
A instituição leva à 53ª edição da feira uma estratégia que busca ampliar a presença dos territórios tocantinenses nos canais de comercialização do turismo e aproximar os pequenos negócios de quem influencia a escolha e a venda de destinos no país. A ABAV estima receber mais de 40 mil visitantes e 2 mil marcas expositoras, entre agentes de viagens, operadoras, empresas de hospedagem, transporte, tecnologia e outros segmentos da atividade turística.
Para o diretor técnico do Sebrae Tocantins, Rogério Ramos, participar desse ambiente permite trabalhar uma etapa decisiva para o desenvolvimento do setor, ao fazer com que a diversidade encontrada no Estado chegue ao mercado de forma estruturada. Segundo ele, a competitividade de um destino depende não apenas de seus atrativos, mas da capacidade dos negócios locais de transformar as características do território em produtos e experiências que possam ser acessados e comercializados.
“Temos paisagens que despertam o interesse do viajante, mas o turismo acontece de fato quando existe uma cadeia preparada para recebê-lo. É aí que entram os pequenos negócios. São eles que hospedam, alimentam, conduzem, apresentam a cultura e estabelecem boa parte da relação do visitante com o lugar. Nosso trabalho é criar condições para que esses empreendedores participem economicamente do crescimento dos destinos”, afirma.
O Jalapão é uma das expressões mais conhecidas desse potencial. A força das dunas, dos fervedouros e das cachoeiras projetou a região nacionalmente, mas a experiência oferecida pelo território também passa pela presença das comunidades tradicionais, pelo artesanato em capim-dourado, pela gastronomia e pelos modos de vida construídos no Cerrado.
Dentro desse território, a Rota Quilombola amplia a leitura sobre o que significa viajar pelo Jalapão. O roteiro reúne as comunidades Mumbuca, Prata e Rio Novo e aproxima o visitante de histórias, conhecimentos, produção artesanal e experiências conduzidas pelos próprios moradores. Estruturada com participação do Sebrae Tocantins, a rota já encontrou na própria ABAV um espaço de aproximação com o mercado turístico nacional.
Rogério Ramos avalia que experiências dessa natureza mostram uma mudança importante na construção dos produtos turísticos. Na visão do diretor, a singularidade de um território não está apenas no cenário, mas na relação entre paisagem, memória, cultura e população. Quando esses elementos são incorporados à atividade com organização e participação das comunidades, o turismo pode ampliar sua capacidade de gerar renda sem reduzir a identidade local a um produto de consumo.
“A Rota Quilombola mostra que existe uma história por trás do destino. O visitante não encontra somente um lugar bonito, mas pessoas que carregam saberes, memória e uma relação própria com aquele território. Quando essa experiência chega ao mercado com respeito à comunidade e com os negócios locais inseridos no processo, o turismo ganha outra dimensão econômica e cultural”, ressalta.
A estratégia apresentada na ABAV também olha para além do destino mais conhecido do Estado. Serras e Lago reúne municípios da região central e combina possibilidades ligadas ao Lago de Palmas, serras, cachoeiras, praias de água doce, patrimônio histórico, gastronomia e atividades de natureza e aventura. Palmas, Porto Nacional, Lajeado, Miracema do Tocantins, Paraíso do Tocantins e Tocantínia estão entre os municípios associados à região turística.
Para o Sebrae Tocantins, ampliar a presença dessas experiências no mercado contribui para diversificar a oferta do Estado e construir possibilidades de circulação do visitante por diferentes territórios. Ramos considera que o reconhecimento já alcançado pelo Jalapão pode funcionar como uma porta de entrada, mas não deve limitar a imagem turística do Tocantins.
Segundo o diretor, apresentar outras regiões significa criar condições para que o turista descubra diferentes experiências durante uma mesma viagem e, consequentemente, estabeleça novas relações de consumo com os negócios locais. Esse movimento pode alcançar restaurantes, pousadas, comércio, serviços, produtores associados ao turismo e empreendedores que ainda estão fora dos circuitos mais conhecidos.
“O Jalapão abriu uma janela importante para o Tocantins, e isso tem um valor enorme. O passo seguinte é mostrar que o Estado não termina ali. Temos regiões com características muito distintas e empreendedores capazes de construir experiências igualmente relevantes. Quanto mais conseguimos conectar esses territórios, mais possibilidades criamos para que o visitante permaneça no Estado e para que a renda circule por diferentes municípios”, explica.
A presença do Sebrae na ABAV ocorre ainda em um momento de transformação da própria atividade turística. A programação da ABAV Talks reúne quatro arenas e mais de 50 capacitações sobre inteligência artificial, inovação, tecnologia, ESG, turismo regenerativo, diversidade, tendências e desenvolvimento de destinos.
Essas mudanças já alcançam decisões cotidianas dos pequenos negócios. A forma como uma pousada aparece nas buscas, a possibilidade de uma experiência ser encontrada e reservada pela internet, a reputação construída pelas avaliações dos visitantes e a capacidade de responder a novos padrões de consumo passaram a interferir diretamente na competitividade das empresas.
Na avaliação de Rogério Ramos, acompanhar esse movimento permite ao Sebrae identificar soluções que possam ser incorporadas ao trabalho realizado no Tocantins sem reproduzir modelos de maneira automática. Ele defende que tecnologia, inovação e sustentabilidade precisam dialogar com as particularidades dos territórios e com a realidade de empresas de diferentes portes e níveis de maturidade.
“A feira nos coloca diante do que está mudando no turismo, mas o nosso olhar continua direcionado para quem empreende no Tocantins. Não se trata de trazer uma tendência simplesmente porque ela está em evidência. Precisamos entender o que pode melhorar um negócio, qualificar uma experiência e abrir mercado. É essa tradução para a realidade local que interessa ao Sebrae”, pontua.
Para Ramos, é justamente essa passagem entre visibilidade e resultado econômico que orienta a presença da instituição em São Paulo. O diretor observa que levar Jalapão, Rota Quilombola e Serras e Lago a um ambiente frequentado por quem comercializa turismo significa apresentar diferentes possibilidades de conhecer o Estado e, sobretudo, colocar os empreendedores que sustentam essas experiências dentro da conversa sobre o futuro da atividade.
“Queremos que o Tocantins seja lembrado pelas paisagens, mas também reconhecido pela qualidade das experiências e pela força de quem empreende nesses territórios. Quando uma viagem movimenta uma pousada, o trabalho de um guia, a cozinha de um restaurante, o artesanato de uma comunidade e outros serviços locais, o turismo passa a produzir efeitos que permanecem depois que o visitante vai embora. É esse resultado que buscamos fortalecer”, conclui.

