Um grande evento realizado pelo Sebrae em homenagem ao Dia do Artesão 2026 (19), no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), no Rio de Janeiro, reuniu artesãos, gestores do setor, autoridades públicas e pesquisadores da área. Foram dois dias, terça-feira (24) e quarta-feira (25) passadas, de uma programação voltada para valorizar a força, a diversidade e o impacto do artesanato brasileiro na economia do país.
O diretor de Desenvolvimento do Sebrae Rio, Sérgio Malta, ressaltou o simbolismo da data: “Celebrar o Dia do Artesão é muito mais do que marcar uma data no calendário. É reconhecer pessoas, histórias de vida, mãos que criam, resistem, cuidam e transformam, sustentando famílias inteiras com talento, sensibilidade e coragem”, disse Sergio Malta, que também é membro do Comitê Nacional de Governança do Crab.
Representando o Ministério da Cultura, a secretária nacional de Economia Criativa, Claudia Souza Leitão, destacou a importância das políticas públicas para o fortalecimento do setor. “Somos trabalhadores protagonistas de uma história construída com as próprias mãos. Precisamos de regulamentação para garantir nossos direitos e fortalecer políticas públicas que atendam artesãos em todo o país”, reforçou a presidente da Confederação Nacional dos Artesãos do Brasil (Cnarts), Márcia Oliveira.

Encerrando a abertura, a gerente-adjunta da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional, Patrícia Maiana, destacou os desafios da profissionalização do setor. “É preciso ter organização, pensar na comercialização e no preço justo de cada peça. Também enfrentamos desafios logísticos importantes. Nosso papel é oferecer suporte para que os artesãos possam se estruturar melhor e brilhar ainda mais no mercado”, finalizou.
Patricia Maiana também anunciou a 6ª edição do Prêmio Top 100, o mais importante do artesanato brasileiro (em breve as inscrições serão abertas). A premiação busca identificar as melhores práticas no artesanato do país. Podem se inscrever microempreendedores individuais (MEIs), micro e pequenas empresas (MPEs), cooperativas e associações. Além do reconhecimento nacional, os 100 artesãos selecionados vão ter o direito de usar o selo Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato, que se torna um diferencial no mercado.
Crescimento do setor
O segmento do artesanato cresceu 26% nos últimos dez anos e, segundo a Pnad, reúne cerca de 1,3 milhão de pessoas em ocupações ligadas ao artesanato. O avanço acompanha o surgimento de uma nova economia artesanal, impulsionada por consumidores que buscam autenticidade, sustentabilidade e conexão cultural
Em uma das palestras pesquisadores da Unisinos apresentaram dados inéditos do setor. O estudo econômico Artesanato no Brasil aponta o comportamento do consumidor de artesanato no Brasil e analisa perfis, hábitos de compra e percepções sobre diferentes tipos de produção artesanal.
Os dados da Unisinos revelaram ainda que a distribuição dos artesãos no Brasil acompanha, em grande medida, a concentração populacional do país, com destaque para a região Sudeste, que reúne a maior participação, com 43,3% do total. Entre os estados, sobressaem o Ceará (7,0%) e Pernambuco (3,6%).

Em relação ao nível de instrução, predomina o ensino médio completo ou equivalente, representando 39,5% dos artesãos, seguido pelo ensino fundamental incompleto, com 25,7%. Ao todo, 86,6% possuem até o nível médio completo, enquanto apenas 8,8% têm ensino superior completo, percentual inferior à média nacional de trabalhadores com esse nível de escolaridade, que é de cerca de 23%. No recorte etário, o maior grupo está entre 50 e 64 anos, concentrando 34% dos artesãos, e aproximadamente 88% têm mais de 30 anos, evidenciando um perfil mais maduro da atividade.
Já na estrutura demográfica, as mulheres são maioria expressiva, correspondendo a 60,7% (798.457 artesãs), enquanto os homens representam 39,3% (517.226). Em termos de cor ou raça, observa-se predominância de pessoas pretas e pardas entre as mulheres (33,7%) e também entre os homens (21,3%), seguidas por pessoas brancas, além de participações menores de indígenas, amarelos e não informados. Esses dados reforçam o caráter diverso, tradicional e socialmente relevante do artesanato no Brasil.
A coordenadora do Crab, Natalia Lorenzetti, explica a importância do estudo inédito encomendado pelo Sebrae sobre artesanato brasileiro à universidade gaúcha Unisinos. “Com os conceitos internacionais e as disponibilidades de bases estatísticas oficiais do Brasil, a análise vai cruzar os levantamentos cadastrais de artesãos regionalizados para estimar o número de artesãos no país”, explicou Natalia Lorenzetti.
Marc Diaz, gerente do Crab, deu as boas-vindas ao público no segundo dia do evento, quarta-feira (25/3), anunciando a estreia do novo portal do Crab.
“Nosso novo portal vai mostrar a força do setor do artesanato brasileiro, mostrar onde estão as oportunidades e promover novos entrantes no setor”
Marc Diaz, gerente do Crab
“Queremos com essa plataforma mostrar a força do nosso artesanato, que impacta a cultura, a economia e até o turismo”, explicou Marc.
“Nosso portal novo tem por objetivo posicionar o Crab como um Polo estratégico do Artesanato”, explica Lorenzetti, que está à frente do projeto. As analistas do Crab Natalia Laurindo, Laura Landau e Betina Monnerat mostraram à platéia todas as funcionalidades e a navegação do novo site.
O portal do Crab apresentará um mapeamento interativo do setor, pesquisas econômicas, de perfil de consumidor e sustentabilidade, notícias e programação atual, artigos sobre temas relevantes e estudos científicos, assim como diversos outros conteúdos de referência.
Painéis temáticos
A programação incluiu ainda a apresentação de pesquisa sobre o comportamento do consumidor de artesanato no Brasil, que analisa perfis, hábitos de compra e percepções sobre diferentes tipos de produção artesanal. Já os painéis temáticos aprofundaram os debates relevantes para o futuro do setor.
No painel “Do Festival ao Futuro – Parintins Criativo” discutiu-se a inovação e a economia circular no artesanato, a partir da vivência do festival amazônico, com participação de Lilian Simões, do Sebrae Amazonas; do designer Sergio Mattos, da artesã Irian Butel Silva (Boi Caprichoso) e da artesã Lucivone (Boi Garantido). Já o painel “Artesanato, Educação e Território em Diálogo” abordou o artesanato como ferramenta pedagógica e de desenvolvimento territorial, com a participação da analista do Crab Bruna Pelegrino e do artesão Augusto Ribeiro.
Encerrando a programação, o painel “Momento Artesão – inovação e tradição” abordou o diálogo entre saberes tradicionais e novas tecnologias, com a participação do artesão Joel Silva; do professor Walter Junior; e do arquiteto Luis Guedes, com mediação da analista do Crab Laura Landau. O encontro mostrou o papel do artesanato como expressão cultural, campo de inovação e motor da economia criativa no Brasil.
Sobre o Crab
O projeto do Crab teve início em 2008 e ganhou forma definitiva em 2016, com a conclusão de seu complexo arquitetônico, resultado da integração de três prédios históricos e tombados, situados na Praça Tiradentes, no Centro do Rio de Janeiro. Sua principal missão é de promover o artesanato nacional e contribuir para qualificar a imagem dos produtos feitos à mão no Brasil.
Desde sua abertura, o espaço já abrigou 39 mostras e exposições; reestruturou seu acervo de cerca de 2 mil obras e estabeleceu o Programa de Visitas Guiadas, o Programa Educativo e o Programa de mostras regionais de artesanato. Todo o espaço possui uma estrutura moderna que convive com o padrão construtivo do século XVIII.
Serviço
Endereço: Praça Tiradentes 69/71, Centro do Rio de Janeiro
Funcionamento: terça-feira a sábado, das 10h às 17h
Ingresso: entrada franca (mediante documento com foto)
Site: https://crab.sebrae.com.br/

