Dia do Patrimônio Audiovisual joga luz sobre importância de preservação de acervos — Ministério da Cultura


Elemento imprescindível para a história e memória de um país, o patrimônio audiovisual é celebrado no dia 27 de outubro. A iniciativa da Unesco foi iniciada em 1980, durante a XXI Conferência Geral, da Recomendação para a Salvaguarda e Preservação de Imagens em Movimento.

O Dia Mundial constitui uma ocasião para aumentar a consciência geral sobre a necessidade de tomar medidas urgentes e de reconhecer a importância dos documentos audiovisuais.

Guilherme Savioli, coordenador de preservação de filmes da Cinemateca Brasileira, avalia que poder acessar as obras é igualmente importante.

“É por meio desse acesso que os acervos contribuem para a formação da identidade cultural brasileira, servindo a usos variados: pesquisa acadêmica, lazer, apreciação artística, documentação histórica e muitos outros. Para que tudo isso seja possível, é preciso um trabalho contínuo de manutenção composto por diversas ações cujo elo engendra a ideia de preservação dos documentos audiovisuais, bem cultural essencial da humanidade”, explica ele.

Mauro Domingues, arquivista e preservador audiovisual da Secretaria do Audiovisual (SAV), aponta que o acesso às obras é um desafio a ser vencido.

“A falta de recursos específicos para a preservação audiovisual, a obsolescência tecnológica, a falta de reconhecimento pleno por parte da própria comunidade audiovisual de que a preservação é um dos elos da cadeia audiovisual também é um grande desafio a ser vencido, bem como a formação de profissionais especializados”, pontua.

Memória e desafios

Outro ponto que se destaca num país de larga extensão territorial como o Brasil é a diversidade regional, que é demonstrada pelos diferentes registros presentes nos acervos em todo o país. Segundo o arquivista, estes acervos presentes em todas as regiões reúnem registros familiares, filmes de curta, média e longa-metragem, filmes produzidos pelo Estado, registros de Televisão entre outros e, mais recentemente, filmes realizados por comunidades, os chamados arquivos de caráter comunitário.

“A diversidade desses registros audiovisuais representa a diversidade de um país como o Brasil”, comenta.

Boa parte da memória audiovisual data do século XX e está registrada em diferentes formatos de película, o filme. Esse material é formado, de modo geral, por duas camadas: uma base plástica flexível e uma camada de gelatina, onde fica a imagem. Ambas são bastante sensíveis e se deterioram quando não são guardadas na temperatura e umidade corretas.

Guilherme Savioli ressalta que as características do país, como as dimensões continentais, o litoral extenso e áreas de clima quente e úmido, garantir condições para a manutenção dos arquivos “sempre foi um desafio”.

“Além disso, com a chegada dos formatos digitais no século XXI, surgiu uma nova frente de trabalho para as instituições de memória: criar e manter políticas de preservação digital, que têm custos altos, tanto financeiros quanto ambientais”, acrescenta.

Preservação do patrimônio audiovisual

A SAV tem atuado para proteger o patrimônio audiovisual nacional e criou a Rede Nacional de Arquivos Audiovisuais, no âmbito do Programa de Preservação de Arquivos Audiovisuais, além de estar em desenvolvimento o Inventário Nacional de Bens Audiovisuais. Até este momento, 27 instituições já aderiram formalmente à Rede Nacional de Arquivos Audiovisuais de 31 que foram visitadas e 29 Instituições responderam ao Formulário de Diagnóstico.

“A SAV também realizou, nos últimos dois anos, ações de formação, incluindo Encontros Temáticos e programas de imersão em parceria com a Cinemateca Brasileira”, completa Mauro Domingues.

Maior acervo audiovisual da América do Sul, a Cinemateca Brasileira tem como missão histórica salvaguardar o patrimônio audiovisual do país em todas as suas formas. O acervo reúne desde imagens em movimento registradas na primeira década do século XX até produções atuais, feitas para as mais diversas telas.

Entre as iniciativas da instituição, destacam-se o Projeto Nitratos, que promoveu a conservação, catalogação e digitalização de filmes em nitrato da coleção mais antiga do cinema brasileiro, com obras produzidas nas cinco primeiras décadas do século XX; e a recuperação do acervo do Canal 100, o cinejornal que operou de 1957 a 1986, criado pelo cineasta Carlos Niemeyer e que exibia mini-documentários em salas de cinema de todo o país.

No Projeto Nitratos, foram 1.785 obras catalogadas e indexadas na Base Filmografia. Destas, 1.428 são nacionais. Já no Canal 100, foram 1. 587 catalogações.

“Isso significa cuidar tanto dos primeiros tipos de película quanto dos dispositivos digitais mais recentes, o que exige o emprego de técnicas bastante distintas e complexas. E isso é apenas o primeiro passo: descrever, catalogar, coletar documentação correlata e, finalmente, disponibilizar isso ao público, compõem esse amplo e complexo leque de ações na atuação da Cinemateca Brasileira”, finaliza.





Agência Brasil

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