Os aromas e sabores da Serra da Mantiqueira paulista acabam de ganhar reconhecimento oficial. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a Indicação Geográfica (IG), do tipo Indicação de Procedência (IP), para os cafés produzidos no Circuito das Águas Paulista, região formada por nove municípios do interior de São Paulo.
A nova IG contempla cafés em grão cru e industrializados — torrados em grão ou moídos — produzidos nos municípios de Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro. Com o feito, o café do Circuito das Águas Paulista passa a integrar o grupo das 24 Indicações Geográficas brasileiras reconhecidas para o setor cafeeiro.
A conquista marca um novo capítulo no trabalho desenvolvido pelo Sebrae em parceria com a Associação dos Cafeicultores do Circuito das Águas Paulistas (Acecap) e produtores da região. Após anos de consultorias e capacitações voltadas ao fortalecimento dos cafés especiais, o selo reconhece oficialmente a origem e as características dos grãos produzidos no território, resultado da combinação entre clima, altitude, tradição e técnicas de cultivo.

“O café do Circuito das Águas Paulista agora integra um seleto grupo de prestígio nacional, entre os melhores do país”, celebra Silvia Fonte, produtora rural e presidente da Acecap. “A conquista da Indicação Geográfica da região é um importante reconhecimento do nosso trabalho, e contribui para valorizar o produtor local, que investe em pesquisa, mão de obra qualificada, treinamentos e capacitações a fim de melhorar o resultado final de nossas produções”, acrescenta.
Para a coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, o selo fortalece não apenas o produto, mas toda a cadeia produtiva. “Mais do que um reconhecimento, a IG amplia a valorização do produto no mercado e fortalece a cafeicultura como vetor de desenvolvimento econômico regional”, destaca.
Tradição cafeeira que atravessa gerações
A história do café na região começou ainda no século XIX, quando produtores vindos de Campinas encontraram nas encostas da Mantiqueira condições ideais de clima, altitude e solo para o cultivo. Municípios como Amparo e Serra Negra chegaram a figurar entre os maiores produtores do país, impulsionados pela expansão ferroviária. Mesmo após a crise de 1929 e as transformações do mercado, a cafeicultura permaneceu viva nas propriedades familiares, hoje conduzidas pela sexta geração de produtores.

Nas últimas décadas, a região transformou um desafio em diferencial. Com o relevo montanhoso dificultando a mecanização, os cafeicultores passaram a investir em cafés especiais, reconhecidos pela doçura marcante e pela qualidade sensorial associada às variedades arábica cultivadas em altitudes de até 1.400 metros. O turismo rural e as fazendas históricas abertas à visitação também ajudaram a consolidar a identidade do território.
“O selo da IG na embalagem dá ao consumidor a garantia de procedência, ou seja, a garantia que esse café passou por processos que cumprem as normas do caderno de especificação técnica, que asseguram sustentabilidade, uso de defensivos agrícolas não nocivos à saúde humana e à natureza, respeito à legislação trabalhista, ausência de trabalho análogo à escravidão e uso de mão de obra infantil”, destaca Márcia Bichara, vice-presidente da Acecap e membro do Conselho Gestor da IG do Circuito das Águas Paulista.
Somando a nova concessão, o Brasil alcança 162 Indicações Geográficas nacionais reconhecidas pelo INPI, sendo 129 Indicações de Procedência e 33 Denominações de Origem. A expectativa é que, futuramente, o Circuito das Águas Paulista avance também para o reconhecimento como Denominação de Origem, consolidando ainda mais o protagonismo da região no mapa dos cafés especiais brasileiros.



