Luisa Canziani (PSD-PR) – 2019 e 2020

Filha do ex-deputado paranaense Alex Canziani, Luisa Canziani (PSD-PR) assumiu a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher como a parlamentar mais jovem da Câmara dos Deputados. Quando liderou o posto, em 2019, tinha 22 anos e não se assumiu como feminista, mas a favor da igualdade entre homens e mulheres. Em relação ao aborto, disse ser favorável à legislação vigente. A deputada foi o único caso de segunda condução na presidência da história da comissão, e ocorreu no período da pandemia de covid-19.
Em entrevistas à imprensa, Canziani se colocou como progressista e afirmou que abordaria na Comissão discussões sobre feminicídio, violência contra a mulher, educação e saúde. Enquanto a deputada esteve à frente da Comissão, foram aprovados cerca de 18 projetos de lei relacionados à violência contra a mulher, sendo que três deles foram rejeitados em votação no plenário – um deles, o PL 450/2019, tratava do aumento de pena para o crime de estupro coletivo.
Na área da saúde, a parlamentar aprovou na comissão o projeto de lei que trata da obrigatoriedade da presença de enfermeira ou outro profissional do setor durante o exame ginecológico, e a proposta que estabelece prioridade de atendimento em assistência psicológica e social e no atendimento de cirurgia plástica reparadora, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para mulheres vítimas de agressão, quando há dano à integridade física ou estética.
Foi também na gestão de Canziani que a Comissão aprovou o texto que tornou obrigatória a inclusão de conteúdos sobre a prevenção da violência contra a mulher nos currículos do ensino básico. Transformado em lei em junho de 2021, o PL instituiu a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher. Hoje, a parlamentar é presidente da Comissão Especial sobre o PL 2338/2023, que define um marco legal para a inteligência artificial.
Elcione Barbalho (MDB-PA) – 2021

Com uma trajetória já consolidada na política, a deputada Elcione Barbalho (MDB-PA) assumiu a comissão das mulheres da Câmara durante seu sexto mandato, tendo como um dos focos o combate ao feminicídio. A parlamentar é mãe do atual governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).
Em 2007, Elcione foi autora de um projeto de resolução para criação da própria Comissão, o PRC 8/07, mas apenas em 2016 o colegiado foi aprovado e constituído na Casa. É também de sua autoria o projeto de Projeto de Lei 6298/19, que estabelece que as delegacias de polícia, os centros de referência, os serviços de saúde, as promotorias de Justiça e as defensorias públicas apliquem o Formulário Nacional de Risco e Proteção à Vida (Frida), para padronizar o atendimento à mulher vítima de violência doméstica.
Durante sua gestão como presidente da comissão, foram aprovados em torno de 18 projetos de lei relacionados a violência contra a mulher. No início de março deste ano, a parlamentar deixou a presidência da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Policial Katia Sastre (PL-SP) – 2022

Quando a Policial Katia Sastre assumiu a presidência da comissão da mulher em seu primeiro mandato como deputada, sua trajetória já era marcada pelo assassinato de Elivelton Neves. Ele tentava roubar um carro e ameaçou, segurando uma arma, familiares e crianças que aguardavam a comemoração de Dia das Mães na frente de um colégio particular em Suzano (SP). Sastre estava na escola da filha, quando viu Elivelton, na época com 20 anos, e atirou três vezes contra ele.
Vista como heroína, a ex-parlamentar ficou conhecida como a “mãe PM” e explorou as imagens do assassinato como propaganda política. Abalada, a família de Elivelton chegou a entrar na justiça para tirar o material do ar.
Segundo o jornal O Globo, a suspensão do vídeo foi determinada pelo juiz do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) Paulo Sergio Galizia, que considerou que Saster se beneficiava explorando uma cena explícita de violência, que resultou em uma morte. No entanto, após a decisão, o TRE-SP liberou, por quatro votos a dois, o uso das imagens na campanha eleitoral.
Enquanto esteve na presidência da comissão, Katia aprovou cerca de 12 projetos de lei relacionados à violência contra a mulher. Um deles, o PL 2841/21 é de autoria da própria ex-deputada e inclui a mulher policial ou bombeiro militar e a esposa ou companheira de integrante dessas corporações entre as pessoas protegidas pela Lei Maria da Penha.
Katia não conseguiu se reeleger em 2022 e atualmente está fora da vida política.


