Instituto Mão na Massa amplia oportunidades de renda e autonomia em Vitória (ES) | ASN Nacional


Quando assumiu a administração do Instituto Mão na Massa, após a morte da mãe, Fernanda Pereira encontrou mulheres que dependiam financeiramente de outras pessoas e enfrentavam situações de vulnerabilidade. A resposta foi criar caminhos para que elas pudessem gerar a própria renda. Pequenos núcleos produtivos começaram a ganhar espaço e o empreendedorismo passou a orientar uma nova fase da instituição, localizada na comunidade de Jesus de Nazareth, em Vitória (ES).

A costura se tornou uma das principais portas de entrada: cerca de 1,3 mil costureiras já foram formadas na comunidade e na Grande Vitória e, hoje, mulheres mantêm ateliês em casa e até comercializam produtos fora do país. O Sebrae integra esse movimento com capacitações, mentorias e apoio à gestão de negócios. Em 2023, o Instituto foi uma das organizações selecionadas pelo projeto Empreender para Transformar, do Sebrae/ES, voltado ao fortalecimento de empreendedores de comunidades da Grande Vitória. O suporte inclui oficinas e consultorias em áreas como gestão e finanças.

“A gente capacita essas pessoas para que elas possam empreender, ter o próprio negócio e conquistar sua independência. O Sebrae vem junto nesse processo, trazendo capacitação e conhecimento para fortalecer esses empreendedores”, afirma a presidente do Instituto.

Fernanda Pereira, presidente do Instituto Mão na Massa | Foto: Divulgação

A experiência mostrou, porém, que aprender um ofício não bastava. Depois de formar centenas de mulheres em costura, o Instituto percebeu que muitas não conseguiam colocar o aprendizado em prática porque não tinham recursos para comprar uma máquina. A dificuldade levou à criação de uma linha de crédito de até R$ 2 mil, que ajuda as participantes a adquirir equipamentos e iniciar seus negócios.

Com o acesso ao recurso, cresceu o número de empreendedoras que montaram ateliês dentro de casa. Algumas passaram também a produzir para escolas de samba, movimentando outra cadeia ligada ao Carnaval de Vitória. Entre as histórias que traduzem essa transformação está a de Fernanda Ellen. Depois de enfrentar a depressão, ela encontrou no Instituto um caminho para reconstruir a própria trajetória.

Hoje, segundo a presidente do Instituto, tornou-se empreendedora, mantém seu negócio e gera renda com as próprias vendas. Histórias como a dela ajudam a explicar uma mudança que vai além da qualificação profissional: atualmente, o Instituto atende cerca de 300 pessoas diariamente, além dos participantes das oficinas e demais atividades realizadas ao longo do ano.

O impacto ultrapassou os negócios individuais e alcançou a economia de Jesus de Nazareth. Com iniciativas de turismo de base comunitária e festivais, o Instituto passou a apresentar o território para novos públicos e estimular uma cadeia de empreendimentos. De acordo com o Instituto, os festivais já movimentaram cerca de R$ 1,5 milhão em vendas, contribuindo para a abertura de negócios e para melhorias em casas e estruturas da comunidade.“A gente conseguiu criar uma cadeia econômica muito grande”, afirma. “O que o Instituto está fazendo hoje é levar Jesus de Nazareth para o mundo”, destacou Fernanda Pereira.

É essa circulação que ganha força quando consumidores e visitantes escolhem comprar, comer, contratar serviços e conhecer negócios criados dentro da própria comunidade. A renda permanece no território, chega a outros empreendedores e transforma capacitação em autonomia. No Mão na Massa, uma máquina de costura, uma mentoria ou a primeira venda podem representar o início de um negócio.

Foto: Inove

Compre do Pequeno

Os pequenos negócios brasileiros são a grande força da economia brasileira. Com mais de 24,19 milhões de CNPJs – o que representa mais de 96% das empresas ativas -, o setor é responsável por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). São mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais (MEI), 8,8 milhões de microempresas (ME) e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte (EPP) atuando em todo o território nacional.

A força desse segmento é celebrada de forma especial em 5 de outubro, no Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. Em comemoração à data, o Sebrae promove a campanha Compre do Pequeno, para valorizar o papel que esses empreendedores desempenham nas vidas das pessoas e de suas localidades.

Somente em 2026, o Brasil já registrou a abertura de mais de 4 milhões de novos pequenos negócios. A contribuição para a economia também se dá pela geração de empregos: em média, 80% dos empregos gerados estão no setor. Ao decidir comprar em um pequeno negócio, o consumidor contribui para a circulação de dinheiro dentro da própria comunidade, a geração de mais vagas de trabalho e o desenvolvimento da economia local.



Agência Sebrae

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