Classe C elege o empreendedorismo como caminho de ascensão social | ASN Nacional


Os empreendedores da Classe C representam quase metade do universo de donos de negócios no Brasil. Segundo estudo feito pelo Instituto Locomotiva, em parceria com o Sebrae, por trás desse fenômeno que torna a Classe C a que mais se dedica à atividade empreendedora, está uma característica histórica das camadas populares: o famoso “corre” ou “viração”.

Mas, o que antes era apenas uma alternativa momentânea ou emergencial de subsistência, consolidou-se nas últimas décadas como uma aspiração de trabalho, fundamentada no desejo da ascensão social e, ao mesmo tempo, na perda de status do trabalho em regime de CLT.

O levantamento aponta que aproximadamente 46% dos brasileiros acreditam que é possível melhorar de vida por conta própria. Outros 22% confiam no apoio de Deus ou da igreja e 13% creem que a família pode prover as condições para essa mudança. Enquanto isso, apenas 8% esperam algum avanço efetivo e apenas 3% esperam que a empresa onde trabalham possa contribuir com a melhora nas condições de vida.

Ainda segundo o estudo, a flexibilidade, a autonomia e a promessa de ganhos superiores ao mercado formal são atrativos poderosos da atividade empreendedora. Abrir o próprio negócio tem sido um caminho percebido como capaz de oferecer melhores condições de vida, em contraste com a rigidez, a baixa remuneração e as limitadas perspectivas de crescimento da CLT.

Foto: Divulgação

Para muitos, a insatisfação com longas jornadas de trabalho, deslocamentos exaustivos e, por vezes, ambientes de trabalho tóxicos ou abusivos, impulsiona a busca por autonomia. Soma-se a isso a percepção de que o mercado de trabalho formal não tem sido capaz de atender às expectativas de retorno salarial na mesma proporção do ganho de escolaridade da maioria dos brasileiros.

O estudo mostra que, enquanto a média de anos de estudos, entre 2004 e 2024, passou de 7 para 11 anos entre brasileiros com 25 anos ou mais, a média da renda mensal do trabalho principal dessa população caiu de R$ 6.937 em 2004 para R$ 6.561 em 2024.

O presidente do Sebrae, Décio Lima, lembra que empreender é, já há muitos anos, um dos maiores sonhos do brasileiro, segundo a pesquisa Monitor Global de Empreendedorismo (Global Entrepreneurship Monitor), que no Brasil é realizada pelo Sebrae.

O sonho de ser dono do próprio negócio motiva milhões de homens e mulheres que lutam para manterem a si e suas famílias. E não apenas isso, mas geram emprego e renda e criam inclusão social, mobilizando comunidades inteiras em todo o país.

Décio Lima, presidente do Sebrae

Ele lembra que é fundamental a atuação do Estado de bem estar social, que assegure a essa população as condições necessárias para que a atividade empreendedora aconteça da forma mais qualificada possível. “Para que o país cresça de forma consistente e com inclusão, o Estado social precisa garantir o fomento e o ambiente legal necessário para ampliar a produtividade e competitividade dessas empresas com políticas públicas que garantam acesso a crédito, inovação e capacitação. O que representa mais oportunidade e inclusão”, conclui.



Agência Sebrae

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