O Sebrae lançou o Movimento pela Moda na noite desta terça-feira (13), em São Paulo (SP), aproveitando a mobilização do setor com a semana da São Paulo Fashion Week, principal evento do calendário da moda nacional, que ocorre de 13 a 18 de outubro na capital paulista. A iniciativa foi criada para refletir e preparar o segmento para lidar com as dificuldades do mercado.
Considerado um dos principais segmentos da economia nacional, o setor de moda e vestuário enfrenta desafios constantes. Da concorrência desleal dos produtos falsificados à competitividade dos importados, são incontáveis situações a exigir criatividade e resiliência dos pequenos negócios do ramo.
“É uma cadeia pujante que gera emprego, renda e desenvolvimento para o país. Um mar de oportunidades, mas também um mar de desafios”
Fábio Krieger, gerente de competitividade do Sebrae Nacional
Para ele, a maior inovação, neste contexto, é trabalhar em conjunto, integrando os vários atores que compõem essa complexa cadeia de valor, no intuito de promover o desenvolvimento. “Juntos pela moda”, convocou.
Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) apontam para R$ 234,2 bilhões de faturamento anual e 1,33 milhão de empregos diretos gerados pela indústria do vestuário. Ainda assim, o contexto preocupa.
“A indústria brasileira está perdendo espaço e andando de lado: foram mais de 20 mil demissões no acumulado de 2026 comparado a 2025”, afirmou o economista-chefe da Abit, Haroldo Silva, que fez a palestra ‘Perfil do setor têxtil e confecção no Brasil’.

Entre os dados expressivos destacados, está o de que 61% dos trabalhadores do segmento são mulheres, que estiveram bem representadas na noite desta terça-feira. Cinco marcas comandadas por mulheres, de cada uma das regiões do país, puderam expor uma amostra de sua produção: Gabbe e Mariza Dias, de Santa Catarina; Irene Gama, do Amapá; Crys Rios, do Mato Grosso; Funlab, do Rio Grande do Norte; e Pareia, de São Paulo.
“Desde a estruturação do polo de moda do Sebrae (em Santa Catarina), conseguimos aumentar a produtividade dos pequenos negócios do ramo atendidos por nós em mais de 30%”, contou a gestora nacional de moda do Sebrae, Thaís Oliveira.
Ela e a colega Kamila Merle, também analista do Sebrae, reestruturaram a estratégia de moda do Sebrae Nacional nos últimos dois anos e agora buscam fortalecê-la, unindo-se aos diversos atores que impulsionam a indústria têxtil no país. “Precisamos construir esse tecido, com ações em parceria”, ressaltou Thaís.
Para Juliana Borges, analista de competitividade do Sebrae e ex-gestora de moda da instituição, a atuação integrada é um momento de realização. “Agradeço o sistema indústria por nos encorajar e estar conosco nesse caminho. Nosso desafio é fazer essas conexões complexas”, disse, referindo-se à união com parceiros estratégicos como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Senai, Sesi, movimento ‘Juntos pela Indústria’, além de grandes empresas e lideranças do setor, entre outros.
Cultura

Representantes das entidades parceiras e gestores estaduais do ‘Movimento Pela Moda’ foram chamados ao palco em clima de celebração. Os últimos foram agraciados com o livro ‘Cérebro Moda’ (ed. Senac), de Nathalia Anjos, que discorre sobre o impacto da moda no sistema nervoso. “A vestimenta está ligada a vários fatores subjetivos, aos repertórios culturais e sociais de cada um”, esclareceu a autora, que integra o Conselho Brasileiro de Moda.
A experiência gastronômica ‘Entre fios e sabores’, do projeto Chefe de Origem, encerrou a noite. O chef goiano Vinícius Rossignoli propiciou aos convidados a oportunidade de provar diferentes sabores e texturas, exaltando o potencial de ingredientes típicos das cinco regiões do país, como açaí, mandioca e castanha de baru. “Cada prato representa um território, assim como a moda tem sua riqueza na diversidade regional”, explicou.

